Nas Ruas | Papo reto

Textos escritos por mim na época em que fui colunista do site Papo reto

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Hip-hop e grafite estão de volta à telinha


No último sábado, dia 26/6, para os que curtem e para quem quer conhecer a cultura hip-hip: reestreou Manos e Minas, na TV Cultura (em SP). O programa está reformulado, com novo cenário com grafites que serão trocados de tempos em tempos, dando espaço para artistas de diferentes estilos e técnicas.
Também conta com uma nova apresentadora, isso mesmo: a atriz e MC Roberta Estrela D’alva. Não estou aqui para promover a emissora, nem o programa em si, mas, sim, para enaltecer que a cultura das ruas novamente está tendo sua voz! E ainda por cima em um canal aberto de televisão.
Roberta conhece bem o tema que norteia o programa, a cultura de rua. Articulada e empreendedora, ela é uma das fundadoras do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, em 2011 ganhou 3º lugar na Copa do Mundo de Poesia, em Paris, e é idealizadora do ZAP! Zona Autônoma da Palavra, uma espécie de campeonato de poesia realizado em São Paulo (poetry slam).
Do antigo formato do programa, que era apresentado pelo rapper e MC Max B.O e pela cantora Anelis Assunção, continuam no grupo o DJ Eric Jay e a banda ProjetoNave, que toca ao fundo.

Identidade nacional, haitianos e horta comunitária

Como de praxe, sempre há um artista convidado e, na reestreia, não foi diferente. A convocada da vez foi Ellen Oléria, dona de voz apurada para canções contundentes. Ellen participou de um papo com a apresentadora, em que se falou sobre valorização da mulher negra e de como o engajamento pela música pode trazer as discussões sobre uma identidade nacional negra.
Uma das reportagens que foi ao ar durante a exibição de Manos e Minas mostrou a situação dos refugiados haitianos, que estão jogados no centro sofrendo todo tipo de discriminação. Eles ainda não foram aceitos na sociedade, problema decorrente do racismo que ainda persiste.
A outra reportagem foi em uma horta comunitária chamada Cores e Sabores, localizada no bairro do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. De lá, são direcionados alimentos para pessoas da comunidade. O lugar também serve como um espaço educativo para as crianças, que descobrem, por exemplo, que o amendoim brota debaixo da terra.
Enfim, sou suspeito para falar… pois gosto muito do programa. Aos que se interessarem para ver o que está rolando na cultura hip-hop, que é muito ampla e abrangente em suas diversas vertentes, este programa pode ser um desmistificador de julgamentos. Afinal, muitos não conhecem e acabam criticando o que vem da rua e é totalmente orgânico. Ou seja, não dá para colocar em livros certas vivências, a não ser, vivendo.

Boa semana pra todos!
 
Serviço
Manos e Minas
Sábado, às 19 horas
Saiba mais como participar das gravações com plateia: 
tvcultura.com.br/programas/manoseminas/ 


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Mais uma vez, o poder da dramaturgia negra



 
A dramaturgia negra mostra mais uma vez o seu poder! Desta vez, o ator e diretor Jé Oliveira (Coletivo Negro) traz um espetáculo de muita importância para os amantes de música, mais particularmente os que curtem o rap dos Racionais MC’S. O espetáculo fala das intercorrências vividas por aqueles que habitam a periferia e nela passam por percalços típicos da vida dura dos negros e das negras ali esquecidos.
Em “Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens”, constatamos o resultado de uma pesquisa realizada por Jé Oliveira acerca do que permeia a vida de homens negros na busca de sua afirmação como pessoas autônomas e em busca da valorização da identidade como povo negro.
Em um ano, foram entrevistados 12 homens negros de diversas idades e profissões, como o poeta e diretor de cinema Akins Kintê, Seu Luis Livreiro, vendedor de livros, e o modelo Willl Oliveira.

O ator e diretor da peça, Jé Oliveira, ressalta que o espetáculo é uma homenagem aos Racionais MC’s, um dos pioneiros na história do rap nacional, tanto que em uma das fotos de divulgação, de André Murrer, os integrantes da peça posam para uma foto que se assemelha à capa de um dos discos mais emblemático dos Racionais (“Holocausto Urbano”).
Lançado em 1990, “Holocausto” trouxe canções contundentes e afiadas denunciando a violência policial e o descaso dos governantes diante dos povos periféricos de São Paulo.
A peça tem um som feito ao vivo feito por músicos experientes como Fernando Alabê, Cássio Martins, Mauá Martins, Melvin Santhana e Djy Wojtila. Em algumas datas (15/3, 16/3, 5/4 e 6/4) terá a presença do DJ Kl Jay (Racionais MC’s).

Enfim, a arte é um dos elementos necessários para todos nós. Ela nos permite nos distanciar desse cotidiano maluco e possibilita um olhar crítico nas coisas que nos cercam. O teatro faz muito bem esse papel de trazer o conflito para que possamos ter a chance de reexaminá-lo com outros olhos.


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Dramaturgia coletiva


Que 2016 seja melhor para todos! Em meu primeiro texto do ano trago mais uma vez à tona um tema que normalmente não encontra o devido espaço nas mídias convencionais e de grande porte: a cultura negra e sua resistência contra tudo e todos. 
No último dia 20 de janeiro, na Casa da Folias em São Paulo, ocorreu o lançamento do livro Negras Dramaturgias, do grupo de teatro Coletivo Negro.

O livro traz em sua essência discussões que permeiam a participação dos afro-brasileiros dentro da produção artística teatral e de militância política. E, vai além, ao mostrar que autores e atores negros estão ativos e reflexivos diante desta sociedade orgânica em que vivemos.

Com textos dos próprios atores do Coletivo Negro, faz emergir e oportunizar para que a dramaturgia seja vista e discutida por todos que tenham o mínimo de interesse em saber a trajetória da história teatral do povo negro. A influência maior do Coletivo é o notório Abdias do Nascimento, um ferrenho militante político para a cultura afrodescendente no Brasil.

Durante o evento de lançamento, os autores leram trechos do livro para instigar os futuros leitores e a cada frase ou verso a emoção dos que ali estavam eram nítidas. O encontro também contou com presenças ilustres como o ator Ailton Graça, que há algum tempo acompanha as produções do Coletivo Negro.
Enfim, o livro Negras Dramaturgias surge para contribuir com textos de peças teatrais para a criação do teatro do negro em São Paulo, e quem sabe no Brasil.
Fica aqui a minha primeira dica do ano e que seja frutífera e útil para quem puder ler!

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Adeus, 2015!


Leitores de 1 Papo Reto, mais um ano terminando e espero que tenha sido, em sua maior parte, de conquistas e alegrias. Claro, sabemos que também ocorrem os imprevistos que fazem parte dessa caminhada louca chamada vida… Em vez de lamentar, melhor lembrarmos das coisas bacanas que aconteceram, certo?
 
Grafite, arte, pichação…
Umas das primeiras coisas de que falei neste espaço foi sobre o grafite visto como pichação e vandalismo; e sobre grafite como uma redenção do ato de pichar. Dependendo do ponto de vista, os dois termos podem ter igual peso, mas o ponto principal nessa discussão é: a pichação também não pode ser vista como arte?

Pois se arte é o ato de a pessoa expressar o que vê e o que sente do mundo, por que não? Por outro lado, muitas vezes para a maioria das pessoas o que conta é se há muitas cores ou não. Mas o que configura o “ato de vandalismo”, independentemente do número de cores utilizadas, é se o trabalho foi feito ou produzido de modo que tirou o direito do outro. Aí a própria ação em si se torna um ato de vandalismo.
 
Ainda sobre esta temática, outra história bacana que pude contar a vocês em 2015 foi sobre a exposição de grafite que ocorreu em uma região da cidade de São Paulo muito nobre (Jardim Europa), para uma arte que é da rua. Ali, pudemos refletir sobre até onde a arte urbana se embrenha, claro que para muitos que vêm da rua houve forte resistência a aceitar o grafite fechado em salas para poucas pessoas verem.
Essa mostra do grafite nos mostrou, em resumo, que a arte urbana tem suas diversas vertentes e cabe a cada artista ter e saber qual é o seu posicionamento nela. Para quem viu foi puro deleite – não importa se entre quatro paredes ou não, o grafite é uma expressão artística contemporânea fortíssima.
 
Teatro para valorizar a cultura negra
Outra coisa que achei bacana este ano foi o teatro feito e pensado para a valorização da cultura negra. A peça “Luz Negra”, da companhia Pessoal do Faroeste, retratou bem a cidade de São Paulo nos anos 20 e 30, onde houve uma grande efervescência política e cultural produzida pela população negra de São Paulo – ao lado do movimento dos modernistas que tomava conta da cidade.
Essas apresentações ocorreram em uma região da Luz, que já foi considerada “Boca do Lixo”. Mas pela qualidade do que se faz lá, a dramaturgia pode ter a chance de dar ainda mais colorido para aquela região (que no final do ano sofreu um revés duríssimo com o incêndio na Estação da Luz).
Também destaco o grupo Coletivo Negro, com a produção “Revolver”. O coletivo se dedica a pesquisar o lugar do negro nos palcos. Escrevi também sobre Simonal – o musical sobre o controvertido cantor Wilson Simonal. Não escrevi, mas cito a peça “O Topo da Montanha”, que é uma ficção sobre o último dia da vida do líder político Martin Luther King – com Lázaro Ramos e Tais Araújo.
 
E, em se tratando de cultura negra, uma das coisas que eu trouxe para cá e mais curti foi uma plataforma virtual onde poetas de diversas partes do mundo podem expor e divulgar suas obras. A plataforma online Badilisha Poetry X-change foi idealizada pela organização African Centre, com sede na Cidade do Cabo, na África do Sul, com o propósito de promover um intercâmbio cultural.
Os poemas publicados podem ser lidos e ouvidos em sua língua materna no site: uma musicalidade de dialetos que encanta os ouvidos num doce embalo. Como poucos entendem, ao final há uma explicação em inglês. Não se trata da tradução exata, apenas um resumo. De qualquer forma, o esforço feito para colocar o projeto em pé é de se aplaudir.
 
E o racismo nas redes, hein?
O que podemos lamentar em 2015 é o nosso atraso em relação a direitos humanos. Ainda não resolvemos o racismo!
Atrizes como Taís Araújo e a jornalista Maria Julia Coutinho, a Maju, ambas famosas e globais, foram algumas das vítimas nas redes sociais. Há milhares de anônimos que sofrem discriminação racial. É triste, mas a cultura afro resiste – aliás, sempre resistirá, diversos meios de expressões artísticas fazem, e sempre fizeram, com que o talento do negro seja percebido nesse mundo bizarro e racista em que vivemos.
Na cidade de São Paulo, o que testemunhamos ano após ano é produção e conquista de espaço do povo negro. Na dramaturgia, na música, nas artes visuais e em outras formas de manifestações criativas e afirmativas de nossa cultura.
Enfim, mais um ano terminando e desejo a todos um 2016 melhor. Mais arte, amor e saúde! Do resto, como sempre, corremos atrás!
 
Rodrigo Garcia é designer gráfico e arte-educador.
 

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Libertando o lirismo da África


Em mundo globalizado, claro que, para aqueles que podem ter acesso, diversos recursos e técnicas são indispensáveis para divulgar trabalhos e buscar informação e conhecimento de qualidade. Desta vez, trago para vocês uma ideia muito interessante de divulgar e permitir que a arte literária chegue em todos os cantos do mundo.
Como educador no mundo da arte, sei da necessidade de questões de identidade e sei que preciso estar informado sobre assuntos que se referem à cultura afro. É por isso que apresento aqui um site muito interessante no que se refere a poetas de diversas partes do mundo.
É bom dizer que esses caras são escritores não renomados, ao menos não os assim chamados escritores de uma cultura elitizada.
Eles são publicados na plataforma online Badilisha Poetry X-change, que reúne mais de 350 poetas do continente africano de países como África do Sul, Moçambique, Namíbia, Ruanda, Nigéria, Zimbábue e outras 16 nações.

Os poemas falam sobre temas variados. Muitos têm como mote principal a ideia da ancestralidade, em um misto de amor, espiritualidade, além de revelar as marcas deixadas pela diáspora negra. Dá para navegar no site buscando poemas por autores, por temas e, até mesmo, por emoções! Como ódio, amor, felicidade etc.

Idealizada pela organização African Centre, com sede na Cidade do Cabo, na África do Sul, e gerida pela poeta e artista Linda Kaoma, a plataforma tem como propósito promover um intercâmbio cultural. Os autores explicam que os poetas dos países africanos são pouco conhecidos e apresentam uma estatística alarmante: de todos os livros publicados no mundo, o trabalho de autores africanos correspondem a apenas 2%.

Os poemas publicados podem ser lidos e ouvidos em sua língua materna, nos podcasts: uma musicalidade de dialetos que encanta os ouvidos num doce embalo. Como poucos entendem, ao final há uma explicação em inglês. Não se trata da tradução exata, apenas um resumo. De qualquer forma, o esforço feito para colocar o projeto em pé é de se aplaudir.
 
No Brasil
Trazendo esta ideia para a realidade brasileira, principalmente dentro das escolas, está aí uma ferramenta a mais para uma melhor inserção da Lei 10.639, que dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira.
Para quem quiser conhecer poetas africanos, a plataforma é uma grande e excelente maneira de se divulgar e propagar uma cultura tão rica e que não pode deixar ser passada em vão.
O link da plataforma para quem se interessar é: http://badilishapoetry.com
Boa semana a todos!

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Design em movimento
 

Demorei, mas apareci, galera! Esta semana trago novidades para todos que gostam de arte, seja ela de que modo for. Recentemente, li sobre um artista bastante interessante, o Derek Pearce, designer e escultor britânico que revela com seu trabalho mesas que simulam animais que saem da água, como hipopótamos, golfinhos e sapos. É um trabalho bastante particular, pois as peças que produz acabam se tornando objetos de decoração únicos. São esculturas feitas muitas vezes diretamente na madeira.
As obras de Derek Pearce são bastante conhecidas por artistas de rock, celebridades e afins. Mas seus trabalhos não se resumem a mesas; ele cria também casas e vários tipos de estruturas de mobiliário com esse mesmo material.
Curti muito pelo fato de mostrar alguns animais esculpidos, e não embalsamados, assim muitos podem deixar de serem caçados para decorarem salas daqueles que matam bichos para mostrar seu status social.

Por outro lado, espero que as madeiras usadas não sejam de árvores cortadas indiscriminadamente, pois aí toda a sua obra de arte seria uma contradição, pois como um interessado em arte, creio que a questão da sustentabilidade necessita de uma reflexão considerável durante o processo criativo.
Um outro dado importante sobre as obras é o  seu valor; quem tiver interesse em ter uma dessas mesas em casa terá que desembolsar mais ou menos 3 mil libras (aproximadamente R$ 12.300), um preço salgado para se por “à mesa” nas condições atuais em que o Brasil se encontra, mas, como disse, quem é aficionado e pode pagar, aí está uma dica interessante.


Boa semana pra todos!

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